Caso de YouTuber mirim reacende discussão sobre relações tóxicas em família

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Campanha “Salvem Bel para Meninas” foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais; suspeita de abusos psicológicos e mãe narcisista inflou acusações nas redes sociais

A hashtag “#SalvemBelParaMeninas” se tornou o assunto mais comentado do Twitter na última semana. Diversos internautas fizeram acusações relacionadas ao suposto abuso psicológico sofrido pela YouTuber mirim, Isabel Magdalena, conhecida como Bel. Os relatos e análises feitos nos vídeos do canal da criança relataram suspeitas graves de uma relação tóxica entre ela e seus pais, principalmente partindo da mãe, Francinete Peres, conhecida como Fran, que coordena todo o conteúdo disponibilizado pela garota.

Tudo começou quando alguns seguidores perceberam situações estranhas no canal, como vídeos extremamente infantilizados para a idade de Bel – que atualmente possui 14 anos -, falas e reações tóxicas partindo da mãe que está presente em quase todos o vídeos e o aparente incômodo da criança em realizar diversos tipos de gravações. Logo em seguida, outros depoimentos também comentavam sobre a vida pessoal da menina – que supostamente é obrigada a se manter longe de outras pessoas e evitar amizades nos locais que frequenta, como a escola.

O Conselho Tutelar do Rio de Janeiro tomou conhecimento das milhares de acusações e, neste momento, são realizadas investigações sobre o caso.

Narcisismo materno se tornou pauta

Uma das principais formas de abuso comentadas sobre o caso trata-se do conceito popularmente conhecido “Mãe Narcisista”. A psicóloga Ana Paula Ribeiro explica que esse transtorno se refere ao abuso psicológico materno que pode afetar toda a vida dos filhos. “Geralmente, a relação entre uma mãe narcisista e o filho é extremamente tóxica. Por ter uma posição de autoridade, ela se acha no direito de controlar tudo o que o filho pode ou não fazer e suas opiniões. Faz com que ele tente ser perfeito e qualquer erro pode causar reações exageradas, agressões verbais e físicas, vitimismo, hostilidade etc”, esclarece.

Dessa forma, a criança pode crescer com a autoestima abalada, sofrer com diversos transtornos psicológicos e ter dificuldade em outros tipos de relação. “A figura materna é muito importante na vida de um indivíduo. Por isso, quando algum tipo de abuso parte dessa relação, é comum que os traumas possam durar por toda vida”, destaca a especialista.

Ana Paula orienta que este tipo de situação merece atenção profissional. “Isso é considerado uma patologia e pode ser tratada por profissionais em saúde mental. O tratamento abrange tanto a criança, que é a vítima, quanto a mãe, que muitas vezes desenvolve esse comportamento devido a outras experiências que teve ao longo da vida”, comenta.

Saber a diferença é importante

Porém, Ana Paula alerta para o entendimento sobre o que realmente se encaixa como relações tóxicas entre mães e filhos. “Na sociedade em geral, a mãe é vista como uma figura perfeita. É preciso esclarecer que elas também podem errar, é normal. Elas possuem diversas responsabilidades e podem se sentir cansadas em diversas situações. O fato de uma mãe chamar a atenção do filho ou controlar algumas das suas ações não deve ser visto como algo errado, isso é necessário para a criação de limites. A relação tóxica se estabelece quando essas reações começam a ser extremamente exageradas e em situações desnecessárias”, aponta.

Fonte: Ana Paula Ribeiro Imbuzeiro, psicóloga, especialista em neuropsicologia, neurofeedback.

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